quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Mídia 2

IstoÉ Gente adota novo formato
Revista entra no padrão já seguido por suas concorrentes Caras, Contigo e Quem

A partir da semana que vem, a IstoÉ Gente adotará novo formato, seguindo o padrão mundial das revistas de celebridades e de suas concorrentes Caras, Contigo e Quem. A novidade marca a passagem do oitavo aniversário da revista, que também aproveita a ocasião para intensificar o processo de adoção do nome Gente, mas ainda sem abandonar totalmente a marca IstoÉ, o que só poderá acontecer quando forem superadas algumas barreiras jurídicas. "Com estas mudanças, estaremos mais equipados para competir em igualdade com os outros títulos do mercado", acredita José Bello, que assumiu recentemente a direção nacional de publicidade da Editora Três.

Fonte: Meio&Mensagem

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Revistas: Redigir e Editar 7

Redigir e Editar uma Revista – Crônicas

Parente próxima da Literatura, a crônica jornalística reflete situações da rotina diária, criando uma identificação entre o cronista e o leitor. Carlos Drummond de Andrade dizia que o cronista "se permite usar um tratamento mais coloquial, usar o pronome eu e contar como é que foi o dia anterior.(...) Mas às vezes esse eu é imaginário, falo de uma coisa que não aconteceu comigo, mas que poderia ter acontecido. Eu acho que essa receita de crônica pode interessar ao leitor. Mas interessar relativamente”.

Na mesma entrevista, Drummond cita Machado de Assis como o maior cronista brasileiro. O próprio Machado de Assis em sua obra Crônicas Escolhidas, define a origem do gênero como um encontro de vizinhas a “escarafunchar” as ocorrências do dia.

A seleção citada apresenta crônicas machadianas que se relacionam exatamente com os fatos da rotina diária: Como comportar-se no bonde, Impostos, Briga de Galo, Meditações no Bonde, Caso de Bigamia, O Cronista e a Semana, etc.

No dicionário a crônica é definida como artigo de jornal ou revista, assinado, com reflexões sobre assuntos diversos como Literatura, Teatro, Política, temas policiais, acidentes, fatos rotineiros, etc.

São grandes nomes da crônica brasileira: Machado de Assis, João do Rio (Paulo Barreto), Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Rachel de Queirós, Carlos Drummond de Andrade, Genolino Amado, Rubem Braga, Sérgio Porto, Antonio Maria, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, José Carlos de Oliveira, João Ubaldo Ribeiro, Mário Prata, Veríssimo etc.

Em relação ao conto literário, a diferença da crônica é que ela não tem personagens definidos. Retrata pessoas e fatos da vida real, situações concretas que são ou podem ser vivenciadas na rotina diária. Como em outros textos recreativos, a crônica inclui um ponto ótimo de tensão intelectual. “Se for simples demais ou de difícil entendimento, o prazer de ler será menor", conforme ensina Sérgio Vilas Boas.

Naturalmente vai escrever uma boa crônica o repórter que tem boa formação cultural; acentuado hábito de leitura; texto fluente, fácil e agradável; sensibilidade para observar os fatos do dia e transformá-los em saborosas crônicas com as técnicas do próprio conto literário: Início ( fato a ser analisado ou caricaturado ), desenvolvimento ( com observações que mostram pleno domínio da língua e ampla visão de mundo ) e fim ( com uma frase engraçada, uma piada, uma "moral da história" etc.).

A recomendação básica é ler atentamente boas crônicas, observando-lhes a estrutura, para depois iniciar-se no gênero com segurança. Nenhuma disciplina técnica poderá passar um formato fechado, padrão, quadrado, hermético sobre como produzir o texto imaginativo, pois não se trata de uma receita de bolo, trata-se de criatividade. E isso vai do potencial de cada um.

Revistas: Redigir e Editar 6

Redigir e Editar uma Revista – Textos Recreativos

Porque o Jornalismo tem se preocupado com textos voltados para o lazer do leitor? Na era pós-industrial o lazer passou a ser valorizado como hábito inteligente e indispensável à reciclagem física e mental das pessoas. É um comportamento cada vez mais presente nas sociedades desenvolvidas. Sentar-se a um canto para saborear uma boa crônica ou rir com as piadas dos textos caricaturais ou dos quadrinhos não faz mal a ninguém. Só faz bem.

O próprio ato de trabalhar vai sendo revisto de outros modos em nossos dias. Especialistas orientam as empresas a abrirem cada vez mais espaço para o convívio prazeroso entre os funcionários, através de excursões ou de exercícios de Ginástica Laboral.

Com a automação industrial, com as novas tecnologias, a Informática e a globalização, pode-se ganhar o mesmo ou até mais trabalhando menos e organizando melhor o tempo. Basta ter preparo e criatividade para ficar no mercado mesmo quando os postos de trabalho estão se reduzindo. Muitos profissionais já conseguem trabalhar em casa independente de ter vínculos trabalhistas com uma empresa.

No Gênero Recreativo o que se explora é, exatamente, esse potencial de criatividade que os fatos da vida encerram, mesmo os mais comezinhos, rotineiros e simples. E se faz isto com amplo sucesso, porque está claro que existe uma demanda por esse tipo de texto voltado para o lazer, a caricatura, a crítica social.

Revistas: Redigir e Editar 5

Redigir e Editar uma Revista – O Livro-Reportagem

No entanto, as revistas semanais de informação apresentam falhas. Aí surge o livro-reportagem, (New Journalism, nos EUA nos anos 60, no qual os repórteres produziam matérias frias com arte e emoção), para preencher os vazios informativos deixados pelo jornal, revistas, emissoras de rádio, noticiários de TV.

O livro-reportagem é um trabalho de historiador e romancista. Trabalha com arte, emoção, aposta entre os aspectos objetivos e subjetivos da realidade. No Brasil o New Journalism, influenciou a Revista Realidade, lançada em abril de 1966. Suas reportagens preocupavam-se com o contexto e a situação em torno do acontecimento.

Um exemplo clássico de livro-reportagem é a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, que descreve a Guerra de Canudos, Antônio Conselheiro e de como uma comunidade inteira foi destruída pelo poder então vigente. Outro exemplo hoje visto como Literatura é o livro Com a FEB na Itália, do cronista Rubem Braga, que relata a atuação da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Revistas: Redigir e Editar 4

Redigir e Editar uma Revista – A Concorrência

Aos domingos, os jornais desdobram notícias, se aproximando do estilo magazine além de trazer os cadernos e suplementos. Assim, concorrem com as revistas.

A revista é uma prática jornalística diferenciada por ter gramática própria, fotografias, design, texto mais próximo da Literatura, uso estético da palavra, recursos gráficos, programação visual. A revista divide-se em: ilustradas, especializadas e informação geral. Os assuntos visam à contemporaneidade e atualidade. O planejamento editorial inclui o ritmo gráfico; visual; capa atrativa; texto em tópicos frasais e documentais.

O diagnóstico de uma notícia envolve a captação, análise e seleção. Submeter os dados recolhidos a uma seleção crítica e depois transformá-los em matéria, significa interpretar. O Jornalismo Interpretativo determina o sentido do fato, por meio da rede de forças que atuam nele. Não há àquela correria de prazos; e procura identificar notícias que despertam interesse no leitor.

A reportagem da revista informativa apresenta a notícia em profundidade, objetividade e ética. Puxa o cordão dos fatos, oferece diferentes ângulos, dados estatísticos, depoimentos e prognósticos. Diferente do jornal informativo diário, que é uma narrativa horizontal e limitada do acontecimento.

O leitor tende a buscar uma leitura complementar, e a revista vai preencher essa lacuna. Ela antecipa expectativa, razões e conseqüências que escapam á primeira vista no jornal. Arredonda a informação, faz uma projeção para a semana seguinte, responde às causas dos fatos.

A revista enfrentou várias tendências. Concorreu com a TV, enfrentou custos altos e o noticiário diário. Atualmente é comercializada por meio de assinaturas e anunciantes. Mas, a tendência de uma revista é determinada por seus leitores.

Tornando a falar sobre a concorrência com os jornais, os cadernos de cultura e suplementos dos jornais aproximam do estilo Magazine. Cinema, música, artes, ensaios, TV, livros são assuntos que tem leitores cativos. O texto é mais opinativos, coloquial, livre e usa os neologismos. Já a revista trata da mesma maneira tanto a matéria de cultura quanto à de política. Isto é, acrescenta ao texto conteúdo complementar, ou ângulo próprio.

No entanto, revistas e jornais são diferentes. A revista é periódica e o texto mais atraente e criativo enquanto os jornais se restringem aos fatos. A reportagem é desenvolvida com ritmo, beleza, refinamento, improvisação e liberdade. Apropria-se do diagnóstico, investiga e interpreta o assunto. Mas, não dispensa a técnica, inspiração, boas palavras, harmonia, sensibilidade, sofisticação, beleza, e unidade no pensamento. O texto da revista é diferencial, porque é conseqüência de um conteúdo bem elaborado e criterioso.

A TV tem influenciado a fórmula das revistas atuais, por isso, elas têm deixado de ousar menos. Os fatos globalizados, os meios de Comunicação e computadores têm refletido na produção jornalística das revistas. Devemos ter cuidado, pois a informatização, não garante a qualidade da informação. É preciso criatividade na forma e no conteúdo.

Revistas: Redigir e Editar 3

Redigir e Editar uma Revista – Estilística e Narrativa

Cada revista tem seu estilo, modo de ser e sua linguagem. Nesse contexto, a padronização e racionalização se tornam necessidades. A imprensa busca unidade, legibilidade e identidade do texto. A revista permite o uso das entrelinhas e apresentação da tendência da matéria, do jornalista e do veículo.

A reportagem tem a função de desdobrar, pormenorizar e dá um relato aos fatos principais e subjacentes. Ela é uma narrativa, então, solte um pouco as amarras da padronização. A Reportagem-Ação começa pelo mais atraente e a Reportagem Documental aproxima-se da pesquisa. Mas, a investigação faz parte de qualquer reportagem.

Dissertar ou argumentar, descrever e narrar são recursos que permitem a variação do ponto de vista. No Jornalismo, utilizamos normalmente o gênero narrativo. Ou seja, na terceira pessoa. Outro elemento, importante, é o tempo que pode ser visto nas seguintes formas: lingüístico (passado, presente, futuro), psicológico (estados internos, individuais), físico (natureza: sol, dia...) e cronológico (calendário, marco social,...).

A reportagem narrativa é um dos gêneros mais importante em Jornalismo, e talvez o que se mais aproxima da Literatura. A reportagem é co-irmã do conto, pois ambos são predominantemente narrativos, são textos curtos e densos, abordam questões humanas, começam com um problema e têm início, clímax e desfecho. A única diferença é que o Jornalismo não faz ficção, não cria seus personagens.

Revistas: Redigir e Editar 2

Redigir e Editar uma Revista – Ordenamento de Idéias

O texto deve ser trabalhado com mais tempo, estilo e discernimento para análise dos fatos. Criatividade, interpretação e recursos de estilo compõem sua base. Trata-se de um documento histórico, e por isso mesmo, devemos nos preocupar primeiro com as idéias, e em seguida com a linguagem.

Um roteiro ajuda a organizar o pensamento e as informações. Primeiro cria-se o clima, a tensão e por último a explicação para o leitor. É um jogo de inteligência por parte do redator a fim de seduzir quem lê o texto.

O desenvolvimento do texto deve ser claro e conciso. Usamos o bom senso no uso das palavras e pontuações. Enumerar, descrever, detalhar, comparar, criar contrastes, exemplificar, lembrar, ilustrar, dar testemunho e confrontar idéias faz parte desse estilo.

O uso dos verbos declaratórios (os chamados verbos dicendi) apóia as falas/indagações das fontes. O texto deve possuir causa e conseqüência, um encerramento remetendo ao início e que apareça na hora certa. Admite interpretação e ponto de vista do jornalista.

Possui características atemporais, por isso procure uma boa angulação. Mantenha unidade, coerência das idéias. Use conjunções, advérbios, locuções adverbiais, pronomes, palavras denotativas e não esqueça das frases curtas e encadeadas.

Desconfie sempre do seu texto, por isso revise quantas vezes for necessário, verifique se está organizado. Cheque a Gramática, Ortografia, fatos, citações, declarações e peça para outra pessoa ler. Saiba cotar o que não for essencial, use da leveza, retire alguns detalhes irrelevantes.

Além de escrever bem é preciso ter habilidade com as palavras. Saiba condensar, mas traga novidades. A reportagem da revista deve acompanhar o fato, e ir além dele. Mas, não deve ter a palavra final. E, sim, ampliar o contexto da notícia.